Solo Mio
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Thursday
*Zoolander* [Outono/2001]

Domingo nós fomos ver a comédia Zoolander, dirigida e estrelada pelo Ben Stiller. O filme até que é engraçado, se você for assistir não esperando nada demais. Stiller é Derek Zoolander, um super modelo com um cérebro do tamanho de uma ervilha que é escolhido por uma organização de estilistas de moda para sofrer uma lavagem cerebral e ser manipulado para assassinar o primeiro ministro da Malásia, porque este faz oposição ao trabalho de crianças na industria da moda. O filme tem dezenas de participações especiais de gente famosa [entre eles, David Bowie, Lenny Kravitz, Natalie Portman, Cuba Gooding Jr. e Winona Ryder ] e traz toda a família do Stiller em papéis diversos. A esposa [Christine Taylor] como a repórter da revista Time, por quem Derek se apaixona; o pai [Jerry Stiller], como um agente de modelos super escroto; e a mãe [Anne Meara], como uma ativista. Will Ferrell está engraçadíssimo, como o estilista excêntrico e temperamental, Mugato. John Voight e Vicent Vaughn fazem o pai e o irmão de Derek, que trabalham numa mina de carvão. A história é tola e politicamente incorreta, mas provoca algumas risadas.

Eu notei que havia inúmeras cenas com as imagens da estátua da liberdade e Empire State Building. Inúmeras tomadas do financial district em Manhattan, onde estava faltando alguma coisa. As cenas pareciam maquiadas, amputadas, alguma coisa estava errada. Perguntei ao Chris, se ele achava que as cenas teriam sido digitalmente manipuladas, para apagar as torres do WTC. Ele também teve a mesma impressão, que foi confirmada por um artigo na cnn:

Shots of the World Trade Towers have been edited out of "Zoolander," which debuts Friday

Eu não sei o que é pior: ver as torres do World Trade Center, quando elas ainda estavam lá ou ver as cenas maquiadas, dando uma sensação muito maior de desconforto........
Tuesday
*Almoço em Família* [primavera/01]

O Gabriel nos convidou para um churrasco na casa DELE [e da Mari!]. Foi muito engraçado, porque agora conversamos pelo ICQ e ele fez o convite, daí combinamos sobre o que levar. Ele diz 'cada um leva o seu bife'. Nessas horas eu vejo o lado não-brasileiro do meu filho! :-) Eu acabo levando tudo, mais uns queijos legais que eu compro mais barato no Trader Joe's. Levei picanha pra quatro, refrigerante natural de tangerina, uma torta caseira de maçãs, sorvete de baunilha, uma bengala de pão francês, carvão pra churrasqueira, cebolas e pimentões pros espertinhos de camarão [ele comprou 1 pound de prawns]. Chegamos atrasados debaixo de uma chuvarada. O Gabriel nos recebeu de guarda-chuva no estacionamento do condomínio. Entramos e eu fui ajeitando as coisas na cozinha. A Marianne estava no andar de cima, ainda foi tomar banho, estava imprimindo um trabalho pra universidade. O Gabriel pediu pra eu fazer o arroz. A carne dele [um bitolão de um filé] já estava temperada com sal e pimenta numa peça lindíssima de cerâmica azul. Eu logo reconheci os poteries da Reidun, a mãe da Mari. Ela tem um antiquário e é a 'hunter' de peças interessantes. Tem uma coleção de poteries de babar! Aqui e ali eu via detalhes que eram a 'mãozinha' da Reidun, na casa do Gabe e da Mari. Tudo organizadinho, limpinho, cheio de peças antigas, quadros e gravuras diferentes nas paredes. Uma imitação do Escher e outra do Dali, junto com uns 4 ou 5 quatros surrealistas, no chão da sala de jantar. No banheiro de baixo mais quadros. Livros de receita na bancada da cozinha tipo americana. Fui fazendo o arroz, cortando os pimentões [fico parecendo a MINHA mãe, fazendo isso!!!], a churrasqueira estava esquentando devagar, porque chovia, ventava, fazia um frio....

Adorei conhecer a casa do meu filho! Eu já tinha estado lá umas duas vezes, mas nunca fiquei muito tempo. Entrei na sala, na cozinha, mas não prestei atenção em detalhes. Hoje deu pra olhar tudo. E eu olhei, sem receio! Plantas na sala, perto da janela, numa mesa azul baixa antiga, que deveria ter uns 2 metros de largura. Quilts nos sofás. Muitos livros e coisarada eletrônica por todo canto. A mesa antiga e quadrada da sala de jantar combinava com cadeiras diferentes, com o acento feito de um tipo de couro trançado. Castiçal com vela no centro. No andar de cima, um escritório que acomodou o desk do Gabriel, mais o desk da Mari, uma mesa extra que ele ganhou da Lígia, um loveseat que ele ganhou da Bia, uns 6 computadores. O closet walk-in do Gabriel, muito menor e mais organizado que o armáriozão que ele tinha aqui! O quarto dos dois, com uma cama de ferro antiga, duas cômodas no mesmo estilo [antigas]. Eles não queriam que eu olhasse, porque estava 'uma bagunça', mas eu entrei de qualquer maneira, encantada por um abajour de base de metal cor de âmbar. É bizarro entrar no quarto do seu filho e da namorada dele.....

O banheiro e uma área de serviço! Eles têm laundry [lavadora e secadora] em casa! Ah, morri de inveja desse detalhe, porque desde que vendi minha Brastemp lá no Brasil que venho usando máquinas coletivas, carregando cestas cheias de roupa pra cima e pra baixo.... Meu sonho é voltar a ter minha própria laundry! Meu filho já tem a dele! Que sortudo..... :-) Ele abria as portas: mostrou onde fica o servidor deles - mais computadores. Mostrou os armários [a casa é bem estruturada]. O quintal é uma delícia, metade cimentada, com uma jardinagem de pedras, folhagens e rosas. Um longo banco de madeira rodeando o espaço. Pôxa, um quintal... Outra coisa que eu invejo. No verão vai ser um espaço gostoso. E a churrasqueira, que tem funcionado à todo vapor [ou melhor, carvão!]. O Gabriel é o cozinheiro!

O almoço ficou pronto e sentamos famintos à mesa. O Uriel teve que correr no supermercado e comprar um saco de salada pronta, porque o Gabriel esqueceu que a salada era tarefa dele. Eu fiz um molho com limão, mostarda e azeite. Comemos, conversamos. O Uriel começou a contar uma velha história do Gabriel na churrascaria Porcão no Rio de Janeiro. Eu detalhei e enriqueci o causo verídico. A Marianne só ria! Tomamos sorvete com cookies da Ghirardelli, que ainda nem estão à
venda no mercado, que o tio da Mari trouxe umas caixas para eles. Cookies do tamanho de um cd, recheados de chocolate macadamia! Até eu comi um! Comemos, falamos 'thank you', e fomos embora. Na calçada da casa, eu olhei pra trás, pra falar o milésimo 'tchau' e vi a figura do meu filho na porta, sorrindo, garboso, orgulhoso, reluzente, feliz!
Thursday
........
Monday
*Burp...! ZZZz...! [01/08/99]

Torradas com queijo, pudim de manga, brownie fat-free, pizza de alcachofra, salada de rúcula, italian soda de melão, french soda de boysberry, sushi, peito de peru com bacon, risoto com ervilhas e queijo garlico, pudim de pão, torta de blueberry, bolinhas de carne com hortelã, peixe-espada no limão e vinho, apricots frescos, suco de cranberries com água Tonica, bagel de frutas com mel, café-com-leite desnatado, tomates com mussarela, água mineral.......

Burp...!

Revista Elle, MTV, Dirty Harry, Fargo, Jerry Lewis e Dean Martin na cadeira de barbeiro, Gary Grant e Audrey Hepburn na Europa, Rising Arizona (Coen's bro again!), Donna Summer, terremoto em Nevada, Richard Gere em 88, Martha Stewart X Sandra Bernard, mulheres no Rock'n'Roll, efeitos especiais no Star Wars, Ben Stiller patético, mais uma história de Vietnã, the weather in northern california, crimes da máfia, a polemica dos quadrinhos 'racistas' do Aaron McGruder, Pernalonga detonando o Patolino, entrevistas em 'Time Line' com Nicole Kidman, Larry King com John Kennedy Jr, O Exorcista, Olivia Newton-John em Reno, colar de brilhantes por $19,99, Fried Green Tomatoes, teenagers põem fogo em casas em Stockton, karaokê nas Bahamas........

ZZZz...!

*Viva Los Mariachis! [10/10/99]

Fomos ao casamento de uma amiga em Salinas - a terra do Nobel Steinbeck, das alfaces e do morango. Planejávamos dormir por lá e passear em Monterey no domingo. Eu sou apaixonada pelo mar. A visão de toda aquela água, o cheiro, o vento, os sons... Tudo isso faz um bem enorme pra minha alma. Deve ser seqüelas da minha descendência portuguesa. Estava feliz da vida que iria ver o oceano, mas fui cortada do meu delírio marítimo pelo Ursão, que avisou:

-Vou ter que trabalhar no domingo. O Tony resolver colher os tomates do nosso campo e não tem jeito de eu não ir...

Que raiva!

Saímos de Davis quando o casamento estava começando em Salinas. Sabíamos que iríamos chegar um pouco atrasados, mas tudo de errado resolveu acontecer e saímos duas horas depois do planejado. Foram três horas de ursão dirigindo e eu chorando porque nessas horas acho que ele faz tudo de propósito e entro numa neuras paranóica... Desperdício de energia, porque como sempre não é nada disso......

- Você esta muito enganada, Fê.... não tem idéia de quanto!

Dai me acalmo e chego de cara inchada e olhos vermelhos para a festa. Perdemos a cerimônia religiosa de 2h30minutos!!! não somos sortudos??? E como o noivo é de descendência mexicana, a missa interminável foi toda em espanhol. Ufa, às vezes há males que vem pra o bem..... :-)

A festa começou atrasada com a entrada triunfal dos Mariachis. Nem eu entendi por que fiquei tão emocionada.... Nunca tinha visto um deles ao vivo. Só em filmes no cinema e na tv. E como nunca fui ao México também (nem a Cancun, vê só que triste!), a visão dos Mariachis ali pertinho, tocando e cantando tão alegremente me deu arrepios de emoção e felicidade!

De roupas típicas, Los Mariachis de Salinas eram três violinos, dois trompetes, um violão gigante e dois pequenos. Um grupo animado, que tocava e cantava sem microfones e sem nenhuma ajuda eletrônica. Tocaram por todo o jantar no palco do salão e depois foram tocando de mesa em mesa, atendendo pedidos ( - será que eles tocam 'i can't get no satisfaction'? o ursão perguntou). Eu tirei muitas fotos deles, porque pra mim eles são algo especial.... Não sei mesmo explicar por que.

Depois do jantar entrou no palco uma banda comum e deram seqüência às tradições de jogos nupciais mexicanos - alguns diferentes, outros parecidos com os que fazemos nas nossas festas. Tocaram muita rumbia, merengue, bolero... bailaram, bailaram. Nós esperávamos pelo bolo para irmos embora e no final desistimos. Concluímos que o bolo iria ser a última parte do ritual das bodas e resolvemos pegar a estrada.

Voltei pra casa, numa viagem cansativa, sem ver o mar. Mas ganhei o presente dos Mariachis e sua musica alegre e festiva! Bien Chispeantes!! :-)


"Soy marino y vivo errante
cruzo por los siete mares
y como soy navegante
vivo entre las tempestades
desafiando los peligros
que me dan los siete mares."

*Pés nas Nuvens [05/10/99]

Nós somos uma família de massagistas desajeitados e amadores! :-) O marido massageando os pés da esposa. A mãe massageando (e beijando e admirando) os pezinhos do filho, antes de virarem pezões e partirem. Massagens de pescoço, de braços, de costas.... :-) Tudo sem pretensões terapêuticas! Que bom......

Depois da mensagem 'zen' do PauloPetro, me inspirei e fui fazer uma massagem nos meus pés , que fazia tempo que eu não fazia isso com cuidado. Mas tem que usar um creme bem bom e cheiroso e depois colocar meia - e sair pisando em nuvens!! :-)

Eu parei de ter dores nas costas quando deixei de ser magrela e quando parei de estressar pelo futuro. Agora estresso só o 'agora'! :-) E logo vento, pra não acumular nós no pescoço. Tem ajudado. Faz alguns anos que não preciso de quiroprata.

Precisava mesmo dessa massagem nos pés. Os coitados agüentam tanto... Já pensou o peso? a responsabilidade de não deixar o corpão cair?? E correndo pra lá e pra cá o dia inteiro? Hoje à tarde eu andei milhas dentro do playground da minha escola. Amaciando minhas novas botas de jeca-tatu-trabalhadora, estou mentalizando ondas positivas para meus pés não fazerem bolhas. Senão vou ter que voltar pros tamancões ortopédicos... [cloc cloc cloc].. por todo o inverno. Não, meus pés estão cansados, mas estão inteiros.

Estreamos a segunda-feira de estação nova. Grama plantada fresca no playground e chão forrado de folhas amarelas. Alguém me disse olhando pras arvores e abraçando meus ombros :

- Que coisa mais bonita essa natureza...

A rotina não muda, mas a paisagem encanta os olhos. Outubro é realmente meu mês favorito! Ontem cortei umas abóboras em guirlanda, que as crianças adoram colorir. E fiz tinta laranja pra pintura. E massinha de modelar cor de abobora com purpurina brilhosa. Girei um fantasminha feito improvisadamente com um filtro de café, preso numa cordinha... BOOOOO....BOOOOO..... As crianças correram pela sala às gargalhadas!! :-)

Um ventinho sopra e vem uma chuva de folhinhas douradas. Uma criança sai gritando:

- o inverno está chegando! o inverno está chegando!

Vamos com calma! Por enquanto estou curtindo o Outono. :-)

"And she gets the urges for going
when the meadow grass is turning brown
and summertime is falling down.."
(joni M.)
Sunday
*De Olhos Bem Abertos [Nov/00]

Quando visitamos um lugar como turista, é comum observamos os detalhes especiais, as qualidades fantásticas do lugar, que nos saltam aos olhos e diferem do lugar de onde viemos. Olhamos para as grandes coisas, para a paisagem, para os pontos turísticos, para as diversidades.

Eu já tinha estado em Las Vegas e Reno, visitando essas cidades como turista. Como elas pertencem ao mesmo país onde eu vivo, não prestei muita atenção a detalhes que não fossem a magnitude do luxo e do exagero das construções e instalações dos cassinos. Sobre o dia-a-dia do povo dessas cidades, só um breve pensamento inquisitivo me passou pela mente: como será que eles vivem? O que eles fazem aqui? Será que todo mundo trabalha com algo relacionado aos cassinos? Agora uma dessas cidades, neste estado estrangeiro de Nevada, poderá tornar-se a minha casa . Desta vez eu visitei Carson City, Reno e a parte de
Nevada de Lake Tahoe com outra mentalidade. Desta vez eu procurei ver o que as pessoas comuns, que vivem no lugar, fazem e como elas são. Eu nunca tinha reparado que o povo de Nevada tem um sotaque diferente do da Califórnia. Desta vez isso me saltou aos ouvidos! E também reparei em como eles são gentis numa coisa bem mais de estilo interiorano, do que a gentileza groovy dos californianos. Também olhei a poeira, a secura e o verde-acinzentado do deserto com mais interesse. Perguntei o que acontece com toda aquela terra quando chove. Fica a maior lama? A resposta que recebi foi que lá quase não chove, mas neva um pouquinho e isso ocasiona uma lama de vez em quando, mas não muita. Quis saber se lá tinha cinema, se tinha provedor pra conectar na
Internet, onde estavam os shoppings, tem universidade por perto, quantos minutos de carro é daqui pra lá e de cá pra lá? O Ursão disse que eu estava de olhos arregalados e pensou que era de susto..... Mas era mesmo pra melhor enxergar!

*Saudade da Chuva.... [26/09/99]

Por causa da profissão do meu marido, minha localização geográfica geralmente indica uma área agrícola e desenvolvida. Nós fomos nos mudando para cidades diferentes em regressão de quantidade de habitantes e progressão de qualidade de vida. Fomos para lugares cada vez mais pequenos e conseqüentemente melhores para viver.

Saímos de Campinas (1 milhão) em 87 e fomos passar uma temporada bucólica em Piracicaba (350 mil). Na época eu detestava o provincianismo da cidade e a sujeira da cana queimada, mas aos poucos fui aprendendo com o piracicabano a ter orgulho da minha caipirice. 'Arco, Tarco e Verva' virou meu livro de bolso....! Comer peixe lá na Rua do Porto (quando ela não estava alagada) era nossa diversão domingueira.

Em 92 sartamos fora de Pira para Saskatoon (150 mil) no Canadá, onde eu aprendi a apreciar a natureza - o verde e o branco, e conviver com dificuldades que antes eu nem imaginava existirem. Me surpreendi como que num lugar onde o gelo cobre a terra por tantos longos meses, pode crescer tanta planta e como o desenvolvimento agrícola chegou tão cedo. No começo do século as planícies canadenses já tinham maquinarias agrícolas pra ajudar as famílias a cuidarem de suas pequenas fazendas de trigo.

Desde 97 que estamos aqui em Davis (50 mil), outro lugar que me surpreendeu pela riqueza agrícola, mesmo estando óbvio que antes do pessoal invadir essa terra em busca de ouro, isso aqui só podia ser um deserto. Os milagres da irrigação! Tudo brotando, verdinho, brilhante, produtivo, sem a ajuda de uma única gota de água vinda do céu. Desde maio que não chove nesta Davis. E os fazendeiros estão frenéticos colhendo tomates.... Um rastro de podridão ácida pelas estradas que cobrem as distâncias entre as fazendas e as canneries. Que saudade que eu tô da chuva!

Uma das nossas professoras vai casar e então estamos fazendo aquelas festas pré-nupciais que as amigas tem obrigação de fazer e a noiva suportar! Aqui se chama Bridal Shower. No Brasa se chama Chá de Cozinha ou Chá de Panela.

O meu Chá de Panela foi diferente porque foi homem também, e todos já chegaram bêbados pra parte que envolvia fazer a noiva e o noivo passarem vergonha. Antes disso passei por todas as humilhações que a minha gravidez permitia, pra ganhar um monte de coisa inútil, que eu nunca usei. Tive que passar por aquela tortura chinesa de adivinhar ou ganhar castigo. Como eu não adivinhei nada, acabei vestida de noiva, com a cara pintada de palhaça, com sutiã e calcinha aparecendo e chapéu de cangaceiro na cabeça. Me levaram pra rua mais movimentada da cidade no sábado - o point, como a campineirada dizia com sotaque caipira disfarçado. Era a Avenida do Taquaral, onde todos os moderninhos da década de 80 se reuniam pra tomar cerveja e paquerar. Eu e o Ursão em cima de uma pick-up, alguém badalando um sino e nos obrigando a beijar de língua na frente da multidão.... Ai, que trauma!! :-)

Mas o Bridal Shower das americanas foi como um passeio pelo céu, comparado com o que as brasileiras fizeram comigo no passado não tão remoto. Todas chegaram no horário (menos a mexicana, que chegou quando a salada já estava murcha) com seus pratinhos de comida, conversaram banalidades, tomaram sodas orgânicas com borbulhas naturais, comeram comidinhas saudáveis sentadinhas nas cadeiras e sofás, escutaram música de elevador, convidaram a noiva a abrir os presentes, dobraram os papeis rasgados com cuidado, aplaudiram a fatiação do bolo e sentaram mais um pouco para cinco dedinhos de prosa chatinha e dai bye bye, see you soon. Eu tava lá, né, tentando animar o papo com o meu charme brasileiro!

Hoje a mexicana que chegou atrasada na festa das americanas fez uma festa na casa dela em Winters. Só foi uma americana, gracasadeus (e foi embora cedo, porque a festa começou com 2hs de atraso e ela tinha outro compromisso). Claro que foi tudo desorganizado e ninguém precisou levar comida. Tinha muito suco verde fluorescente, soda artificial, gelo, salsa caliente e nachos, salpicão de frango, melão e tostadas. Todas as mexicanas falantes, gritonas, escandalosas, alegres, coloridas, simpáticas, de broche de flores e camisinha na lapela dos vestidos. Eu também tava lá, com o broche lubrificado no vestido e muitas vezes boiando nos assuntos que geravam tantas risadas altas, porque quando elas falam muito rápido eu não entendo. Mas eu ria também!! hahaha! Teve brincadeiras, torturas (não tão sofisticadas como as das brasileiras), piadas, tropeços e todo mundo repetindo as fatias generosas de bolo com sorvete. Muitas foram embora e voltaram. É festa que não tem hora pra acabar. Eu fui embora triste dizendo 'adios, hasta la vista!', porque tinha que trabalhar.

Na volta, pela road 32 que é cheia de curvas e ladeada por fazendas e oliveiras, fui olhando tudo a minha volta - as árvores de nozes e pistachios, o milharal seco pra colheita, o curral dos cavalos, as ovelhas do outro lado, um pomar de pêras, muitas flores, e zigzagueando nas curvas pra esquerda e pra direita fui pensando nos valores que eu adquiri na minha jornada campestre de tantos anos e na simplicidade que estou tendo o privilégio de apreciar.

Mas continuo com uma saudade doida da chuva.....

Quando é que vai chover de novo nessa terra???

*Janelas [Verão/00]

Meu carro dormiu todo aberto no estacionamento do meu condomínio. Acho que foi a primeira vez aqui em Davis que eu esqueci as janelas do carro abaixadas e as portas destrancadas e fui pra casa. No dia seguinte que vi o que tinha feito. E o carro ainda estava lá, oh well! Mas estava TÃO quente naquele dia (e ainda está, oh Lord, have mercy!). Eu fui à Sacramento com uma amiga, fazer compras no Trader Joe's, e quando voltei estava realmente de miolos fritos. E eu tenho essa mania de ar, de arejar, de querer tudo natural, mas nesse calorão simplesmente não dá.

Em Saska eu sempre deixava o meu carro aberto na rua, com as janelas escancaradas, tomando sereno das noites frescas de verão. Não sei como nunca achei nenhum esquilo ou outro bicho acampado no carpete macio do chão. Às vezes entrava um ou dois pernilongos.

Em Piracicaba, uma vez deixamos as portas do carro abertas por um minuto e quando voltamos tinha um cachorro enorme fazendo do pequeno espaço sua casa. Tínhamos ido à Águas de São Pedro, eu, o Ursão e o Gabriel, mais o Zé, a Helô e o Pedrinho. Passeamos, compramos licores e doces e quando voltamos já era noite e chovia muito. Levamos as crianças pra dentro da casa e quando voltamos lá estava o cachorro. O Gabriel gritava de alegria da janela. Ele queria adotar o bicho, que só queria mesmo estar no quentinho e na secura do carro. Foi um drama tirar o animal de lá, porque não queríamos deixá-lo na chuva, mas fazer o que?

E melhorando dessa mania de deixar portas (às vezes com as chaves do lado de fora) e janelas abertas, hoje estou tendo que me submeter a fechar tudo, e ligar o ar condicionado.